Arquivo de abril 24th, 2009

• sexta-feira, abril 24th, 2009

Queridos e Queridas,

abertura oficial deste espaço para toda a comunidade escolar estendida, que é um jeito muito chique de dizer: todos aqueles que têm algo a ver com a Ânima, seja por interesses diretos, indiretos, ou mera simpatia, que é um forma carinhosa de se interessar por algo.
Aproveitamos este novo começo para inaugurar também um novo tema, sugestão da Regina, mãe da Anouk. E que tema! A própria idéia de perfeição e de que forma ela encontra nossos desejos e angústias nas mais diversas tarefas do cotidiano, entre elas e especialmente, as decisões que tomamos acerca de nossos filhos e filhas.
Precisei de um intervalo para alguma pesquisa inicial, tentativa de coletar algumas idéias que nos dessem estofo e permitissem o início da conversa que, logo – espero e conto com isso -, será largamente ampliada pelas participações, opiniões, posições, contribuições de todos vocês.
Assim, uma vez mais, sintam-se muito bem-vindos, queridos, desejados, esperados!

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Quando li pela primeira vez a sugestão da Regina, pensei: interessante mesmo, mas difícil, difícil…. Mas esse é um espaço entre amigos e, por isso, um espaço de conforto, um espaço em que se conversa sobre o que quer que seja, sem o compromisso das Leis e Normas e regras gerais de funcionamento da academia, sem o compromisso com a perfeição, não é mesmo? Assim, o desafio, embora difícil ainda, torna-se possível, quem sabe até divertido!

Minhas pesquisas iniciais mostram que o conceito de perfeição não é absolutamente novo para a humanidade, muito pelo contrário: é um dos mais antigos, um dos primeiros que essa nossa cultura humana deu conta de elaborar.

O próprio termo que o nomeia – em nossa própria língua e em quase todas as línguas ocidentais – tem sua origem no Latim e inclui a idéia de completude (o prefixo per), de totalidade.

Assim, na origem, algo perfeito significaria aquilo que teria sido feito (este é o radical do termo faccere, ou fazer) de tal forma que excederia o necessário à mera existência, algo tão bem feito que alcançaria o estatuto de modelo exemplar do que quer que seja. Desta forma, uma ferramenta perfeita, seria A Ferramenta entre todas as demais, aquela que reuniria todos os atributos e qualidades que, de outra forma, encontraríamos apenas distribuídos entre o conjunto de todas as ferramentas existentes.

Complicado? Nem tanto… Mantendo nossa metáfora, A Ferramenta perfeita seria aquela que reuniria, em si, os atributos funcionais do martelo, do alicate, da chave de fenda, etc. Ampliando a metáfora, seria o mais perfeito canivete suíço!

Bem, começamos…. vamos ver para onde essa discussão se encaminha com os comentários e contribuições de vocês…
Por enquanto, gostaria que mantivéssemos algumas dessas idéias originais como cabos-guia para nossa discussão: a noção de completude, a idéia de que a perfeição se liga a algo feito, a um trabalho, portanto, e, finalmente, a idéia de que a perfeição, caso exista, é necessariamente singular.