Postura pedagógica
Queridos e Queridas,
depois de longo e tenebroso inverno (expressão que me pareceu especialmente apropriada neste frio!), estamos de volta, morrendo de saudades desta interlocução com vocês.
Inauguraremos hoje, uma nova modalidade de postagem, sugerida pelo Renato e imediatamente acolhida por nós com alegria: a publicação de conversas que começam como uma comunicação entre famílias e escola por e-mail.
Algumas das famílias que atendemos têm preferido esta forma de consulta à escola sobre os mais diversos assuntos. Afinal, é uma tecnologia confortável e, nesse caso, interessante, porque economiza o deslocamento e a elaboração escrita de perguntas e respostas sempre é enriquecedora.
Assim, com a autorização de Renato e Roberta, pais de Lucas e Fernanda, aqui vai a primeira:
Caros leitores do blog da Ânima
Fizemos, eu e Roberta, minha esposa, uma consulta “pedagógica-ética” sobre uma questão que, ao ler o email-resposta da Lilian, me sugeriu: isso daria um excelente post no blog.
Então inauguro, aqui, minha carreira de proponente de temas!!
Nosso filho de 7 anos, escolheu, recentemente (e alertado profundamente pela mãe sobre as consequências e importância desta decisão) trocar todo o seu cofrinho, que continha moedas acumuladas durante sua vida e dinheiros ganhos da fada-do-dente, por 2 carrinhos do filme “carros”, com custo equivalente a (numa escala que eles compreendem) 1 mês e meio do ‘dinheiro da cantina’.
Isso gerou em nós, pais, uma reflexão sobre as escolhas dele, como conscientizá-lo das consequências destas, e ao mesmo tempo, sobre como instrumentá-lo, uma criança, para lidar com dinheiro, valores, desejos, enfim, se a Pixar soubesse, faria um seriado!!
Para animar a festa, nossa filha de 3 anos assistia a isso tudo de camarote, e, animada com a questão, começa a reivindicar comprar coisas com seu cofrinho também e mesada!!!
Uma alegria nas lojas americanas!
Ao recorrer à Lilian para entender como lidar com esse(s) nós e ao ler sua resposta, ficou esse desejo de compartilhar essa etapa do crescimento dos nossos pequenos com voces leitores, sugerindo esta reflexão, para os que já lidam e os que lidarão com isso…
Bom, com isso, imagino que todos estarão curiosos para saber qual foi a resposta da Lilian, acho que ninguém melhor que ela para continuar!!!
Abs a todos,
Renato salgado
Muito bem, assunto introduzido…. Como de costume, continuamos no próxima postagem, que será logo, não se preocupem….
Ah, aproveito para lembrá-los que amanhã tem Festa Junina e que será linda, pelo menos a julgar pelo que as crianças andam fazendo por aqui esta semana! Eu, se fosse vocês, não perderia por nada deste mundo!!!!!
Abraços grandes e até a festa!


sexta-feira, 19. junho 2009
Olá pais, pedagogos e professores,
Sou Elysabete, mãe do Eric, do G4.
Esse assunto de dinheiro, compras, presentes dá o que falar aqui em casa.
O Eric vai fazer 4 anos em outubro e já fala: “Mãe, o que você comprou hoje?” ou “O que você vai comprar?”.
Já sabe que quando vamos ao shopping, provavelmente vamos comprar algo.
Ele já escolhe roupa, o que quer e o que não quer.
É uma fase boa, mas sinceramente, nos preocupamos com muitos presentes e mimos, é preciso saber a medida certa, para não entornar o caldo…
Sempre temos essa conversa (eu e o pai), até mesmo porque, trabalhamos com o segmento de brinquedo e trazer alguns para casa é sempre um dilema…
Bom, só queria compartilhar com vocês…
Abraços e Beijos,
Até a próxima postagem!
segunda-feira, 22. junho 2009
Pois é, Elysabete, as crianças aprendem muito rapidamente como as coisas funcionam para nós, adultos, não é?
Mas note a gentileza: embora entendam o funcionamento, deixam a gerência das operações para a gente: pedem, perguntam, opinam…. mas, quem decide mesmo, é a gente.
Assim, como decidir quando dizer sim ou não? É sempre esse o problema, não é? Bem, para além dos limites reais (tem um montão de vezes em que temos que dizer não, mesmo que preferíssemos o contrário, simplesmente porque o sim é impossível), há as outras todas, em que temos que decidir com base no que achamos certo e é aí que as crianças aprendem mais do que o funcionamento do sistema de trocas capitalista, mas o que é certo ou errado em nossa opinião, e nossa opinião conta muito para elas.
Abraços,
Lilian
segunda-feira, 22. junho 2009
Olá a todos,
Adorei esse tema, acabamos de passar por uma experiência em casa que acho bacana dividir com vcs para ilustar.
Camila, Pedro eu e meu marido compramos um cofrinho para juntarmos moedas com o objetivo de juntar dinheiro para ir para Disney.
Detalhe importante: a viagem já era uma certeza para nós, pais, e relativamente próxima, portanto o cofrinho era para eles poderem participar monetariamente dessa conquista na forma que achamos possível.
Assim sendo, na véspera da viagem abrimos o cofrinho, ou melhor quebramos o cofrinho, o que foi uma delícia. “Estamos ricos! “dizia o Pedro.
Nos dividimos e cada um ficou responsável em contar uma moeda, o Pedro todas de R$1,00 a Camila as de 0,50 eu e o Dudu com as menores.
Essa foi de fato a 1ª experiencia das crianças com $ e pude notar que o que marcou para eles foi qdo abrimos o cofrinho, a sensação da conquista registrou na cabecinha deles valores que tentávamos dizer em palavras. Conseguimos demonstrar e ensinar valores que eu e meu marido acreditamos serem preciosos para eles. Portanto deixo aqui minha experiência que acabou por fundamentar minha opnião abaixo:
Enquanto as crianças não vivenciarem os “valores” que estamos tentando ensinar, eles não conseguirão pensar como os adultos. E quanto antes isso acontecer melhor para todos. Hoje em dia na nossa casa os cofrinhos estão lá de novo, a pedido deles, e eles “pegam ” moedas de todos os lugares, avós, tios, e aprenderam a fazer show de talentos e cobram ingressos , tudo para encher o cofrinho. O destino dessa poupança dessa vez ainda não esta definido.
Conseguimos o nosso objetivo de adulto: ensinar a eles que você controla o seu dinheiro e não o dinheiro que te controla.
Bjs
Andrea