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• terça-feira, outubro 20th, 2009

Queridos e Queridas,

Carbono Zero é a nossa meta

Nada melhor do que boas notícias para a gente recomeçar uma conversa, não?

Neste ano a Escola Ânima completa 25 anos de existência!!!!

Preparamos muitas coisas para celebrar esta data, esta conquista. Algumas delas serão pontuais, outras vem sendo feitas no decorrer de todo este ano. Uma das mais deliciosas é nosso projeto de neutralização de nossas emissões de carbono.

Desde o ano passado, em parceria com a Max Ambiental, uma empresa especializada, vimos calculando quanto carbono lançamos na atmosfera com nosso consumo. É um cálculo que envolve muitas variáveis: o lixo que produzimos no período de um ano, quanto de energia elétrica consumimos, quanto de combustíveis fósseis, como gás e gasolina.

Calcular quanto emitimos de carbono, entretanto, é apenas o começo da história; ainda é preciso calcular quantas árvores precisaremos plantar e manter para que nossas emissões de carbono sejam neutralizadas.

Bem, passamos um tempo fazendo todos estes cálculos e escolhendo um lugar para plantar nossas árvores. Escolhemos a Fazenda Japiápé, que fica no munícipio de Cajamar, em meio a Área de Proteção Ambiental da Serra do Japi. Para receber nossas mudas, a Fazenda Japiapé precisou passar por um processo de certificação, pois era necessário demonstrar que as mudas que plantássemos ali ficariam protegidas até efetivamente crescerem e se tornarem árvores.

Depois, precisávamos de 250 mudas de espécies nativas de Mata Atlântica, cobertura original da região. Foi a vez do Instituto Estre Ambiental nos ajudar, fornecendo as mudas no tamanho recomendado pela agrônoma, outra variável que podíamos controlar para assegurar que as plantas crescessem e virassem as árvores que manteriam o carbono do nosso consumo fora da atmosfera.

Tudo pronto? Quase tudo… Com o lugar, o cálculo, as mudas, só precisávamos do dia de amanhã: quando nossos alunos e alunas vão plantar, cada um deles uma muda de árvore. Afinal, tudo o que falamos para as crianças sobre as responsabilidades individuais e responsabilidades coletivas sobre nosso próprio destino e o destino do planeta deve ter alguma aplicação prática, não?

No final do ano, convidaremos a todos para uma nova visita à Fazenda Japiapé, para vermos como estão nossas pequenas árvores.

E, quem sabe, daqui a alguns anos, possamos voltar lá e aproveitar a sombra que farão, a beleza das flores e a alegria de ter participado.

Carbono Zero, repetimos, é a nossa meta!

• quinta-feira, maio 07th, 2009

Queridos e Queridas,

Como nossa discussão sobre o Enem e suas interpretações foi transferida para outra instância, achei que poderia ser bem interessante retomarmos aqui nossa discussão original sobre a ilusão de perfeição e o lugar que ela vem ocupando no imaginário de todos nós, pós-modernos, especialmente estes de nós que resolvemos aceitar o desafio e a aventura que é ter filhos e filhas.

Como disse antes, vocês são rápidos e suas participações fazem a discussão andar por rumos novos e inesperados.

Nos comentários de vocês, aparecem duas idéias fortes que, creio, podemos explorar juntos: a perfeição como ideal, por definição inalcançável, mas que mantida como referência nos proporcionaria um percurso de aproximações sucessivas desejável e a negação completa da perfeição, até mesmo como ideal desejável, e sua substituição por idéias mais relativas, como “o possível” ou “o melhor de si”.

Pessoalmente, fui convencida, ao longo da e pela vida, de que “o possível” ou “o melhor que podíamos para o momento” é a única coisa com que podemos contar certamente. E esta é uma posição que me parece interessante pelos motivos que passo a elencar.

Primeiramente, saber que fazemos “o melhor que podemos para o momento” não gera culpa. Mesmo que analisemos a situação posteriormente e, então, descubramos que havia, sim, alternativas interessantes para aquela que, eventualmente, escolhemos, aí já é outro momento e a análise se beneficia de elementos que não estavam disponíveis quando da escolha – como, por exemplo, os efeitos e desdobramentos que todas as escolhas trazem em si – e aí, não vale, é claro.

Por outro lado, e como segunda vantagem intrínseca, a análise posterior, esta mesma que conta com os tais novos elementos, se dá, obviamente, em outro momento, e isso significa sempre que podemos aprender, pois se tivéssemos que escolher novamente, agora, escolheríamos diferentemente e, supostamente, melhor, pois sabemos mais sobre o objeto da escolha do que sabíamos antes.

Terceira vantagem, complementar à segunda: na maior parte dos casos, as escolhas não são fatalismos – sempre há possibilidade e tempo para reverter, mudar de idéia, fazer correções desejáveis. A vida anda.

Quarta e a mais importante das vantagens: convencer-se de que não só nós mesmos, mas todos, fazemos nossas escolhas assim, apresentando “o melhor que podem para o momento” e, por extensão, todas se beneficiam das vantagens já enumeradas, conseguimos uma dimensão generosa de compreensão para nossos pares e iguais que transforma todas as nossas relações.

Muito bem, agora façam comigo um breve exercício: apliquem cada uma das vantagens apresentadas ao cotidiano que todos vivemos com nossos filhos e filhas. Acresçam a isso o espaço para surpresas e inesperados que esta posição traz em si, necessariamente…

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Bem, não sei se consegui convencê-los, nem sei se era isso que queria, realmente, mas posso declarar que em minha vida e em retrospectiva, isto me garantiu uma deliciosa coleção de dias perfeitos, cujas histórias minha filha não se cansa de ouvir.

• quarta-feira, março 11th, 2009

Muito bem, queridos e queridas, momento de nos aproximarmos do final deste assunto, a adaptação, numa coincidência interessante com o que nossos alunos e alunas também estão fazendo por agora.

Rosely Sayão prossegue em seu texto com a seguinte conclusão:

“Para a criança, isso não é bom. Em primeiro lugar, porque a separação fica mais sofrida por durar muito mais tempo, o que dificulta e atrasa a apropriação de seu novo espaço. Em segundo, porque a sala fica com um clima artificial: professoras constrangidas, mães que interferem no espaço, crianças que poderiam ficar mais à vontade e que são aprisionadas pelo olhar da mãe etc.

Se as escolas fossem mais firmes no propósito de ter no aluno seu foco principal, esse período seria menos penoso para todos. Claro que algumas crianças continuarão chorando por um tempo para entrar na escola e algumas mães continuarão resistindo à separação, mas isso sempre ocorreu e ocorrerá.

Enquanto acreditarmos que esse processo é necessário, ele será. Só por isso, e não pela necessidade das crianças. Elas podem reagir diferentemente do que esperamos nessa situação. Basta que tenham oportunidade para tanto.”

 

Aqui, parece-nos, as proposições da autora trazem complicações mais sérias.

Afinal, a partir de afirmação unívoca - “para a criança, isso não é bom” - a autora nos coloca a todos, escola e família, na posição daqueles que criam e mantêm esta situação tão nociva.

Sayão também apresenta as razões que teríamos para fazer esse tipo de coisa com nossas crianças e argumenta que tudo se resolveria melhor sem nossa intervenção, que prolonga e artificializa a situação que, justamente, gera sofrimento às crianças.

Interessante notar que um dos comentários - o do Flávio - do post anterior a este lembrava justamente de quando as crianças iam à escola e separavam-se de seus pais no portão, desde o primeiro dia de aula e assim era para todo o sempre. Os pais deste tempo sabiam, inclusive, que ser chamados à escola era mau negócio: significava ou que seu filho tinha aprontado ou que ele não aprendia bem. Bons tempos?

O comentário do Flávio (Leleto) e a autora lembram que, sim, muitas crianças sobreviviam a esta situação sem maiores questões, passavam pela escola e pronto: a vida era assim mesmo. Apenas o Flávio, entretanto, lembra-se que também havia outras crianças: as que choravam; as que não choravam, mas para quem não estava tudo bem; as que faziam cara de tudo bem, mas paravam de falar, e uma infinidade de situações possíveis para a criatividade própria do humano (aliás, há um conto delicadíssimo e belo sobre um primeiro dia de aula desastroso mas que, nem por isso, tem qualquer poder destruidor sobre a vida do aluno, que acho que todos deveriam ler: A Língua das Mariposas. Sugiro que escolham a versão em Galego e desfrutem dois prazeres: o do texto, que é delicioso, e o de conhecer uma língua tão parecida com o Português, porque lhe deu origem!).

A permanência dos pais na escola pode não ser a melhor idéia para o período de adaptação no que concerne ao bem-estar da criança? Pode ser, para algumas crianças… Para outras, pode ser sensacional; para outras, ainda, pode ser indiferente, pouco importante; para outras, pode ser absolutamente essencial. Como dissemos no início, o que é impossível mesmo é fazer afirmações que cubram toda a enormidade da diversidade do humano em geral, da infância em especial.

Finalmente, uma última observação. A autora termina seu artigo dizendo que a adaptação, da forma como a fazemos não é uma necessidade para as crianças. Bem, pode não ser mesmo. Mas as necessidades dizem respeito apenas e exclusivamente à sobrevivência: alimentar-se, manter-se inteiro, proteger-se, etc.

A vida, como todos sabemos, é maior do que sobreviver, até por isso, recebe outro nome, não é mesmo? Por que a economia, nesse caso?

• terça-feira, março 03rd, 2009
a escola é o lugar onde as crianças encontram outras crianças

a escola é o lugar onde as crianças encontram outras crianças

Queridos e Queridas,

 

Vamos começar a semana - e, na opinião de alguns, o ano, pois o carnaval, afinal, já foi - dando continuidade à nossa discussão sobre o que nos diz Rosely Sayão em seu artigo de 05 de fevereiro último. Vejamos como segue o artigo:

“Ao mesmo tempo, sabemos que as crianças crescem melhor junto a outras crianças. Como hoje as famílias não têm mais o hábito de frequentar com regularidade a casa de outras famílias, as crianças vão para a escola cada vez mais cedo para conviver com seus pares - e isso não é problema, desde que seus pais estejam seguros de sua decisão.

Esse período de adaptação se transformou em um processo complexo e que pouco auxilia a criança pequena. As escolas, cada uma à sua maneira, inventaram uma série de dispositivos para amenizar a mudança para a criança, mas o alvo principal desse processo são os pais. Na família atual, a relação entre pais e filhos é a única que dura até a morte, já que todas as outras relações afetivas são passíveis de dissolução. Isso gerou consequências, como a dedicação afetiva extremada dos pais em relação aos filhos.

Ao levar o filho pequeno para a escola, os pais sentem culpa, angústia, insegurança. E foi por isso que muitas escolas decidiram permitir que eles fiquem com os filhos no início. É para aquietar os pais, não os filhos, que o processo foi inventado.”

A escola tornou-se o lugar onde crianças podem, enfim, conviver com seus iguais, o que não é pouco.

E não é pouco para ninguém:

- para as próprias crianças, que devem aprender, então, que nas relações simétricas - as que se dão entre iguais - as regras são outras: o cuidado não é mais uma prerrogativa, as negociações sociais deverão ser, cada vez mais, fundadas em argumentos convincentes e a idéia de justiça começará a se formar aqui, acompanhada de sua negação - a injustiça;

- para os pais, que devem, pela primeira vez, entregar seus rebentos ao mundo, tal como ele é, mesmo que a escola deva ser uma versão amenizada desse mundão. Para isso, é preciso mais do que confiar na escola, o que é, sem dúvida, fundamental: é preciso confiar em si mesmos e nos esforços educativos que dirigiram e dirigem a esta criança que, agora, vai aplicar o que aprendeu mais ou menos por conta própria;

- e para a escola, é claro, que fica encarregada de encontrar encaminhamentos interessantes para essa maravilhosa diversidade que ali se encontra, com representantes de famílias distintas, únicas e, assim, também de seus valores, posições, desejos, expectativas.

É claro que todos precisam, sim, de um pouco de conforto para iniciar esta experiência.

A presença de pais e mães na escola então se configura como uma delegação de poderes educativos, até então centrados apenas neles mesmos e em outros adultos próximos, para toda a humanidade, na figura dos professores e professoras que a representam na escola.

E é importante, sim, que essa delegação, esse gesto simbólico de partilha do poder educativo seja testemunhada pelas crianças, pois é assim que seu ingresso nessa instância social ampliada que é a escola se dá a partir de um voto de confiança nelas mesmas e em sua possibilidade de fazer parte disso tudo por escolha própria.

É importante lembrar que a escola não é das crianças sempre e muito menos no início: foi inventada por adultos, é decidida por adultos, é escolhida por adultos, são adultos aqueles que a regem. Para as crianças, a escola é uma conquista, não algo dado, como poderia parecer.

Em nosso próximo encontro, o final do artigo ou sobre como as crianças se apropriam das escolas que lhes cabem.

Abraços pós-carnavalescos a todos e todas!

• sexta-feira, fevereiro 27th, 2009
Queridos e Queridas,
 
dica bacana de programa para o domingo:
 

1 de Março de 2009

Carnaval dos Animais

Espetáculo que mistura música, dança, teatro e contação de histórias, o Carnaval dos Animais - oferecido pela Gerdau - vai encantar as crianças e os adultos que passarem pela Praça.

A apresentação é baseada na fantasia do compositor francês Camille de Saint Saëns (1835-1921) e as peças são executadas ao vivo por uma orquestra. A manipulação de fantoches e a contação de histórias musicada, feita pelo Grupo Tiquequê de teatro, fazem o grand finale do espetáculo, que é gratuito e aberto a todos os públicos.

 

HORÁRIO DESTE EVENTO

10:30 às 12:30

Na Praça Victor Civita, em Pinheiros,

Rua Sumidouro, 580 - Pinheiros - São Paulo - SP - CEP 05428-010
 
Abraço grande e bom final de semana a todos!!!
 
Equipe Ânima
• quinta-feira, fevereiro 19th, 2009

Queridos e Queridas,

Antes de, como prometido, começarmos nossa discussão sobre o artigo de Rosely Sayão, gostaria de fazer um breve, mas intenso, agradecimento à adesão impressionante e a não menos impressionante generosidade de todos!!!

Agora, à nossa discussão. Rosely Sayão escreve, semanalmente , no caderno Folha Equilíbrio, do Jornal A Folha de São Paulo, sempre sobre temas que dizem respeito a pais, filhos e escolas. Neste artigo, fala sobre o período de adaptação escolar, a propósito do ano letivo que se inicia. Para aqueles que gostariam de ler o artigo na íntegra antes de começarmos a comentá-lo e ainda não puderam fazê-lo, ele está disponível no blog da própria Rosely Sayão. Para aqueles que preferem apenas acompanhar a discussão, reproduzo aqui os primeiros parágrafos:

Nesta semana, milhares de crianças com menos de cinco anos começaram a frequentar a escola. Muitas estreiam no espaço escolar, mas mesmo as que já o frequentaram por um período podem estranhar a separação dos pais e o afastamento de casa no retorno das férias. Por isso, elas passam por um processo de adaptação.

A reação das crianças nesses dias é bem diversificada: muitas entram na escola e já vão brincar, outras choram, outras ainda se agarram nos pais, sem contar as que se recusam a sair do carro. Mas tudo pode mudar em dias ou semanas: as que entraram sem problemas podem expressar recusa, as que choravam podem entrar sem problema e assim por diante.

É bom saber que tais comportamentos -e a alternância entre eles- são naturais. Afinal, a criança na primeira infância tem sua vida intensamente ligada às pessoas com as quais tem vínculo afetivo e ao espaço de sua casa porque é isso que oferece a segurança necessária para que ela se sinta tranquila.”

A autora começa seu artigo afirmando que, para crianças pequenas, um período de adaptação ao ingresso ou retorno escolar é necessário, pois haveria um importante vínculo afetivo entre as próprias crianças, suas famílias e suas casas. Bem, o vínculo afetivo entre as crianças e suas famílias é, sim, evidente, e ainda bem que assim o seja. Já o que existiria entre as crianças e suas casas parece-nos bem mais discutível, uma vez que, acompanhadas por adultos em quem possam confiar, as crianças, em geral, topam se aventurar por quaisquer espaços, da forma curiosa e interessada que só elas têm em seus primeiros anos. Parece que o contrário também é verdadeiro, porque são poucas as crianças que ficariam confortáveis se deixadas sozinhas em casa, especialmente em seus primeiros anos de vida, não?

O que nos parece mais frequente é que as crianças encontrem um genuíno prazer na exploração de novos espaços, domiciliares ou não, desde que acompanhadas pelos adultos em quem confiam, com quem podem contar. Afinal, qualquer adulto sabe que é preciso ficar de olho nas crianças, mesmo e especialmente em suas próprias casas, porque não há escada, degrau ou tomada que escape dessa exploração. É por isso também que exatamente dois segundos antes de atirar-se ao primeiro degrau ou colocar o dedinho na tomada, qualquer criança que se preze olha para o adulto mais próximo e sustenta esse olhar pelo tempo suficiente para ver que cara faz o adulto convocado.

A autora segue, dizendo que as crianças criam respostas diferentes e criativas para a inovação que a escola representa em suas vidas - e para todas as outras que cuidamos de inventar, poderíamos acrescentar -  e que essa diversidade e sua alternância seriam naturais.

Ora, natural parece um adjetivo muito pouco provável para descrever o que fazem as crianças e exatamente a diversidade e a singularidade das respostas que elas nos dão deveria ser suficiente para demonstrar isso, afinal, cada criança dá a sua resposta, não a da espécie, não a do instinto, não a da natureza.

Parece-nos mais provável que cada criança, assim como nós antes delas e ainda, chegue ao momento da adaptação escolar com os recursos que tenha extraído de um único lugar: o imenso repertório de modelos de interação social existente. Cada criança chegará à escola ou a ela retornará com essa bagagem do que pôde aprender com os adultos com quem conviveu, que a ela se dedicaram. E, se não é muito, certamente tem sido suficiente.

Continuamos no próximo texto, quando a participação de vocês tiver ampliado a discussão e o espaço de autoria desses comentários.

Um abraço, grande, grato e apertado em todos e cada um.

Lilian Ana Faversani

Diretora Pedagógica