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• terça-feira, junho 30th, 2009

A alfabetização e a familiarização com os símbolos gráficos

Queridos e Queridas,

Continuando nossa proposta de tornar públicas conversas interessantes que acontecem por e-mail e, assim, particularmente, publicamos agora a conversa com a Dani, mãe de uma aluna de nosso G5.
Dani participa de um grupo de discussão, também virtual, destinado a mães e pais de crianças desta idade e usou, para responder à pergunta de outro membro do grupo, algo que já havíamos discutido em uma de nossas reuniões de pais, aqui na Ânima.

Assim, começaremos essa nova partilha com o texto que a própria Dani escreveu para responder à dúvida de sua companheira de grupo e de maternagem:

Escrevi esse email abaixo há pouco para algumas mães da minha lista de discussão, quando apareceu uma mãe apavorada porque seu filho de 5 anos está tendo muitas lições de casa para aprender a escrever as letras cursivas.

Tentei resgatar o que ficou pra mim daquela palestra sobre alfabetização e os conteúdos do G5 e 1o ano:

Eu também tinha essa preocupação com a alfabetização da Clara, que está com 4,6
anos.

Ela já conhece todos os números e letras do alfabeto e está aprendendo a
escrever todos eles em letra de forma.

Faz tudo ao contrário, faz letra emendada, voando, fora de ordem, eu dou
risada. E apóio e oriento as lições dela, que sempre pedem para fazer um
desenho e depois as letras da palavra desenhada.

Percebo que há muito interesse dela sobre isso, muito mesmo, principalmente
depois que ela descobriu que eu uso essas letras o dia inteiro porque fico no
computador trabalhando.

Ela quer entender o que eu faço e aprender as letras
é como ela acha que pode compartilhar esse conhecimento comigo.

Numa reunião na escola da Clara com a diretora pedagógica, acabei
convencida de que esse relacionamento das crianças com as letras e os
números não é alfabetização ainda, mas uma familiarização das crianças com sinais
gráficos, uma vez que aos 4 ou 5 anos elas já começam simbolizar
mais.

Segundo ela, mesmo se relacionando com as letras desde os 4 anos, as
crianças não aprendem a ler (ainda que algumas o façam, meio sem querer).

A maioria acaba escrevendo as letras desde os quatro, mas só consegue ler de verdade
aos 7 ou 8 anos, como num passe de mágica, pois esta é uma aprendizagem que envolve muito mais do que meramente desenhar letras e números e leva muito tempo para ser organizada.

O que a escola está trabalhando não é só alfabetização, mas o aprimoramento do campo simbólico.

Ela diz que o objetivo pedagógico não é apenas ensinar a ler e escrever, mas trabalhar mais duas classes de sinais/códigos humanos (números e letras), porque nessa idade as crianças já sacam que existem esses códigos, que os adultos os dominam e com que podem comunicar idéias (assim como elas – crianças – já sabem que podem comunicar
idéias
com os desenhos que elas produzem).

O aprendizado da escrita acaba chamando mais a atenção dos pais no conjunto da
obra, não se sabe bem porquê, mas no G5 da Ânima a escrita é trabalhada diariamente, embora de formas muito diferentes, é também trabalhada desde que as crianças são muito pequenas, muito menores do que os cinco anos de sua filha, assim
como o desenho, a música, a pintura, as atividades motoras, enfim, é mais
uma dentre as tantas atividades que as crianças têm durante o período escolar.

Como ela confere um certo “poder” às crianças, porque elas se sentem mais
“adultas” achando que dominam um código antes pertencente exclusivamente ao
mundo dos adultos, elas acabam dando mais destaque a esse aprendizado do que aos
outros, então parece que estão aprendendo só isso. Mas não é por aí.

Eu me convenci disso. O que parece a vocês?

Espero ter ajudado,

Bjs, Dani

• terça-feira, junho 23rd, 2009

Queridos e Queridas,

Continuamos a falar sobre mesada, dinheiro e consumo, como parte de nosso projeto de compartilhar dúvidas, questões, pensamentos, idéias que começam de forma particular, mas que nos tocam a todos, não é mesmo?

Conforme prometido, aqui está a resposta à pergunta de Renato e Roberta:

Ro, querida,
A vida nunca é fácil como deveria, não é mesmo?

Muito bem, vamos por partes.

A questão, aqui, não é o dinheiro (nunca é) mas o valor das coisas, neste caso, um valor que também é monetário.

Assim, é preciso ensinar que dinheiro é mercadoria de troca, ou seja, Lucas tinha 30 reais mais um tanto em moedas e acabou esta história com dois carrinhos que valem o mesmo que o dinheiro que ele tinha antes mais 12 reais, que ele ficou devendo.

Entendeu?

Não?

Vamos de novo: quando compramos alguma coisa, escolhemos trocar aqueles papeizinhos que chamamos de dinheiro por coisas de igual valor. Assim, o valor não se altera, apenas o formato da coisa.

Ao trocar o dinheiro com você, ele padeceu da ilusão de que podemos, por algum motivo especial, ter tudo…. bem a ilusão é comum, mas a realidade é mais comum ainda: não podemos ter tudo!

Daí a sugestão sempre boa de pensar bem antes da troca, porque depois as coisas complicam.

Quanto à mesada: acho que alguma coisa em torno de cinco reais é mais do que interessante, desde que este dinheiro não seja destinado a gastos do cotidiano, tipo lanche na cantina

.
É preciso entender que a única função de uma mesada para uma criança dessa idade é ensiná-la a tomar suas decisões monetárias e éticas.

Se a gente der o dinheiro com destino prestabelecido, justamente isso se perde.

Isto posto, é preciso saber que eles fazem um monte de asneiras e tomam decisões que arrepiam os cabelos de qualquer cristão, como comprar um monte de balas ou coisas que são negadas (como o carrinho), ou pior, proibidas (não sei vocês, mas na minha casa era o cd da Xuxa, por exemplo) pelos pais.

Em casa, a regra era a seguinte: o que eu negava, ela podia comprar com o dinheiro dela; o que eu proibia, dinheiro nenhum poderia comprar, porque as razões não eram monetárias, eram éticas, neste caso, estéticas também, e dinheiro não muda estas razões, não importa quem seja o dono.

Bem, é sempre bom lembrar que asneiras são a maior parte e a mais importante de qualquer aprendizagem, então, respirem fundo.

Finalmente, Fefa: muito mais fácil.

É só dizer a ela, e sustentar, que mesada é coisa de menino e menina grande, como o Lucas, que ela ainda não chegou lá, mas chegará, é só esperar e, então, terá mesada.

Por enquanto, ela poderá coletar as moedinhas de troco, como o irmão fazia até agora, pois isso é o que fazem as crianças menores.

Além disso, quando chegar o tempo dos dentinhos dela caírem, aí o capitalismo impera e a fada do dente lhe dará uma destas pequenas fortunas…..

Ufa, acho que foi tudo, mas se não foi, escrevam novamente,

beijos,

Li

Escola Anima

autor: lilian
• sexta-feira, junho 19th, 2009

Postura pedagógica

Queridos e Queridas,
depois de longo e tenebroso inverno (expressão que me pareceu especialmente apropriada neste frio!), estamos de volta, morrendo de saudades desta interlocução com vocês.
Inauguraremos hoje, uma nova modalidade de postagem, sugerida pelo Renato e imediatamente acolhida por nós com alegria: a publicação de conversas que começam como uma comunicação entre famílias e escola por e-mail.
Algumas das famílias que atendemos têm preferido esta forma de consulta à escola sobre os mais diversos assuntos. Afinal, é uma tecnologia confortável e, nesse caso, interessante, porque economiza o deslocamento e a elaboração escrita de perguntas e respostas sempre é enriquecedora.
Assim, com a autorização de Renato e Roberta, pais de Lucas e Fernanda, aqui vai a primeira:

 

Caros leitores do blog da Ânima

Fizemos, eu e Roberta, minha esposa, uma consulta “pedagógica-ética” sobre uma questão que, ao ler o email-resposta da Lilian, me sugeriu: isso daria um excelente post no blog.

Então inauguro, aqui, minha carreira de proponente de temas!!

Nosso filho de 7 anos, escolheu, recentemente (e alertado profundamente pela mãe sobre as consequências e importância desta decisão) trocar todo o seu cofrinho, que continha moedas acumuladas durante sua vida e dinheiros ganhos da fada-do-dente, por 2 carrinhos do filme “carros”, com custo equivalente a (numa escala que eles compreendem) 1 mês e meio do ‘dinheiro da cantina’.

Isso gerou em nós, pais, uma reflexão sobre as escolhas dele, como conscientizá-lo das consequências destas, e ao mesmo tempo, sobre como instrumentá-lo, uma criança, para lidar com dinheiro, valores, desejos, enfim, se a Pixar soubesse, faria um seriado!!

Para animar a festa, nossa filha de 3 anos assistia a isso tudo de camarote, e, animada com a questão, começa a reivindicar comprar coisas com seu cofrinho também e mesada!!!

Uma alegria nas lojas americanas!

Ao recorrer à Lilian para entender como lidar com esse(s) nós e ao ler sua resposta, ficou esse desejo de compartilhar essa etapa do crescimento dos nossos pequenos com voces leitores, sugerindo esta reflexão, para os que já lidam e os que lidarão com isso…

Bom, com isso, imagino que todos estarão curiosos para saber qual foi a resposta da Lilian, acho que ninguém melhor que ela para continuar!!!

Abs a todos,

Renato salgado

Muito bem, assunto introduzido…. Como de costume, continuamos no próxima postagem, que será logo, não se preocupem….

Ah, aproveito para lembrá-los que amanhã tem Festa Junina e que será linda, pelo menos a julgar pelo que as crianças andam fazendo por aqui esta semana! Eu, se fosse vocês, não perderia por nada deste mundo!!!!!

Abraços grandes e até a festa!

Escola Anima