Queridos e Queridas,
Continuamos a falar sobre mesada, dinheiro e consumo, como parte de nosso projeto de compartilhar dúvidas, questões, pensamentos, idéias que começam de forma particular, mas que nos tocam a todos, não é mesmo?
Conforme prometido, aqui está a resposta à pergunta de Renato e Roberta:
Ro, querida,
A vida nunca é fácil como deveria, não é mesmo?
Muito bem, vamos por partes.
A questão, aqui, não é o dinheiro (nunca é) mas o valor das coisas, neste caso, um valor que também é monetário.
Assim, é preciso ensinar que dinheiro é mercadoria de troca, ou seja, Lucas tinha 30 reais mais um tanto em moedas e acabou esta história com dois carrinhos que valem o mesmo que o dinheiro que ele tinha antes mais 12 reais, que ele ficou devendo.
Entendeu?
Não?
Vamos de novo: quando compramos alguma coisa, escolhemos trocar aqueles papeizinhos que chamamos de dinheiro por coisas de igual valor. Assim, o valor não se altera, apenas o formato da coisa.
Ao trocar o dinheiro com você, ele padeceu da ilusão de que podemos, por algum motivo especial, ter tudo…. bem a ilusão é comum, mas a realidade é mais comum ainda: não podemos ter tudo!
Daí a sugestão sempre boa de pensar bem antes da troca, porque depois as coisas complicam.
Quanto à mesada: acho que alguma coisa em torno de cinco reais é mais do que interessante, desde que este dinheiro não seja destinado a gastos do cotidiano, tipo lanche na cantina
.
É preciso entender que a única função de uma mesada para uma criança dessa idade é ensiná-la a tomar suas decisões monetárias e éticas.
Se a gente der o dinheiro com destino prestabelecido, justamente isso se perde.
Isto posto, é preciso saber que eles fazem um monte de asneiras e tomam decisões que arrepiam os cabelos de qualquer cristão, como comprar um monte de balas ou coisas que são negadas (como o carrinho), ou pior, proibidas (não sei vocês, mas na minha casa era o cd da Xuxa, por exemplo) pelos pais.
Em casa, a regra era a seguinte: o que eu negava, ela podia comprar com o dinheiro dela; o que eu proibia, dinheiro nenhum poderia comprar, porque as razões não eram monetárias, eram éticas, neste caso, estéticas também, e dinheiro não muda estas razões, não importa quem seja o dono.
Bem, é sempre bom lembrar que asneiras são a maior parte e a mais importante de qualquer aprendizagem, então, respirem fundo.
Finalmente, Fefa: muito mais fácil.
É só dizer a ela, e sustentar, que mesada é coisa de menino e menina grande, como o Lucas, que ela ainda não chegou lá, mas chegará, é só esperar e, então, terá mesada.
Por enquanto, ela poderá coletar as moedinhas de troco, como o irmão fazia até agora, pois isso é o que fazem as crianças menores.
Além disso, quando chegar o tempo dos dentinhos dela caírem, aí o capitalismo impera e a fada do dente lhe dará uma destas pequenas fortunas…..
Ufa, acho que foi tudo, mas se não foi, escrevam novamente,
beijos,
Li




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